Por Rodrigo Valverde - Advogado e Consultor Empresarial especializado em M&A, Direito Societario e Gestao Patrimonial.
Pessoal, boa tarde. Excelente aí sexta-feira para todos vocês. Eu peço desculpas, ontem eu não fiz a live, mas tava com a agenda completamente tomada e aí resolvi contar uma história. Ia contar uma história de forma mais discreta, mas isso ia me dar um mega trabalho. E eu acho que, enfim, não ia ser tão intenso quando a gente conta em primeira pessoa.
Há um tempo eu tava buscando um investimento pra minha empresa, para fazer as coisas que eu achava que eu precisava fazer. E, pô, conheci um cara super legal, eu tive uma relação profissional com ele e isso virou um bom relacionamento. Eu falei: “Cara, se você tá fazendo aqui a mesma coisa que eu quero fazer, a gente não consegue fazer junto”. Aí ele falou: “Pô, Rodrigo, aí eu vou, você vai aprender a minha tecnologia e cá entre nós não existe tecnologia assim de outro mundo, não existe um rock science”. Mas o cara se achava tão importante, tão importante, tão bonito, tão vaidoso, que ele achava que só ele sabia fazer as coisas.
E ele abriu uma unidade de negócio nova. E essa unidade de negócio também estava fazendo mais timidamente, mas estava fazendo. E a pessoa dessa unidade de negócio se tornou amiga de um amigo meu. E aí, obviamente, chegaram no meu nome em alguma conversa. E aí o cara falou: “Ah, o Rodrigo é gente boa, legal e tal”. Mas cara, pequeno, né? Tem muito mais dinheiro que ele, ou seja, tem muito mais dinheiro disponível para investir na empresa, etc.
Bom, fato da vida que ontem eu assinei um contrato que hoje, seguindo a linha de raciocínio dele, se dinheiro por dinheiro, se é bolso por bolso, eu tenho duas vezes mais dinheiro que ele, duas vezes mais bolso que ele.
Então, o que que eu acho que vale a pena compartilhar com vocês? Não é uma competição sobre quem é o cara que tem um pinto maior, desculpe as meninas, mas o homem às vezes é burro entrando nessa discussão. Não é esse o caso.
Eu acho que a gente precisa ter cuidado com o que a gente fala. Acho que a gente precisa ter cuidado sempre com a vaidade, porque a primeira pessoa que eu falei, ela poderia ter feito um contrato e podia estar ganhando dinheiro junto comigo, porque ela sabia que eu faria. Inclusive ela me disse: “Eu sei que você vai fazer, eu sei que você é um cara que vai crescer, tenho certeza disso, mas, pô, eu vou fomentar a entrada de um concorrente.”
Então, ele poderia ter hoje um percentual 5, 10, 50, 80%, tanto faz o número. Ele ia ter 50% do negócio que ele não tem e vai continuar tendo. Então ele preferiu ficar com 100% de nada, ou seja, 100% daquilo que ele não tem.
Então eu acho que um tipo de cabeça, um tipo de mentalidade que não é uma mentalidade fim para 2020, não é a mentalidade acho que do próximo século, dessa nova era de consciência que a gente tá vivendo. Então eu acho que a opção pode ser investe em outras empresas, investe em outras pessoas, né? Incentive pessoas que possam fazer parte do ecossistema da sua empresa, parte do seu ecossistema pessoal, para que você possa ganhar mais, possa ganhar junto. Você não vai pensar tudo.
Então aquilo que eu já falei no Instagram, que eu falei no Masterclass Day, você pode investir em outras empresas que tenham sinergia, que sejam complementares.
Ainda essa semana eu vi da pessoa que tá fazendo um cheque em mim, falou: “Pô, Rodrigo, mas a partir de determinado ponto aqui, aí você vai concorrer comigo.” Falei: “Pô, por mais legal que você seja, por mais bolso que você tenha, de fato, o bolso é dele, não é meu, você não vai ser onipresente, né? Você não vai estar em tudo que é lugar do mundo. Tudo é melhor a gente flexibilizar aqui, a gente ganhar todo mundo junto, porque senão você tá gerando um desincentivo.” Só que talvez eu seja a única pessoa para dizer isso, porque eu não preciso de vocês. Eu não dependo de vocês, embora estivesse precisando e dependendo, mas dentro da negociação faz parte.
Então, eu 100% recomendo a vocês que criem ecossistemas pessoais, empresariais que sejam complementares. De repente, aquilo que você sabe, ponha a serviço do outro e faça incentivo. Mas achar que você vai abraçar o mercado inteiro com velocidade altíssima, que você não vai cometer erro, que ninguém vai ter ideia que seja igual, melhor que a sua ou complementar a sua, eu acho uma grande bobagem.
E cuidado com a vaidade, cuidado com ego. Ego, orgulho, vaidade, isso nunca trouxe nada de bom, só tira da gente coisa boa. Então, queria compartilhar isso para vocês na sexta-feira.
Então, essa história é melhor ainda. Eu esqueci de um detalhe importante que é o seguinte: essa pessoa, vamos chamar de João, essa pessoa que disse que tinha tecnologia, que não poderia me ensinar, blá blá blá, o sócio dele esteve com um amigo meu antes deles montarem a empresa. Até eles procuraram um amigo meu e falaram: “Pô, a gente vai montar uma empresa, quer investir na gente, etc.” E vamos chamar esse amigo meu de Bruno.
Então, o sócio do João procurou o Bruno, falou: “Pô, investe aqui com a gente, vamos fazer um negócio junto, etc.” E pô, o sócio do João pediu para o Bruno, acho que metade da empresa dele. E o Bruno falou: “Não, imagina, vou te dar metade. Meu negócio tá andando, meu negócio tá rodando, XPTO.”
E resumindo, o João, os sócios do João montaram um negócio super grande, tá? Tá indo super bem também.
Então, parece que a história se repete. O próprio Bruno talvez pudesse ter tido uma atitude ali diferente. Falar: “Cara, não, acho que metade da minha empresa não, mas, pô, vamos criar aqui uma joint venture e se o negócio performar, a gente faz aqui uma troca de ações.” Pode ser mais inteligente, pode ser mais criativo.
Então, o Bruno ficou sem o negócio do João, o João ficou sem o negócio do Rodrigo. Espero que o Rodrigo não deixe oportunidades passar.
Mas essa história é curiosa e o tempo vai passando, você vai vendo que as histórias vão se entrelaçando. Mas como regra geral, não deixa a vaidade te cegar e tenta ser criativo. Então quem tiver precisando de soluções criativas, acho que pode me mandar mensagem, porque eu já vi foi coisa nessa vida. Grande abraço.