Por Rodrigo Valverde - Advogado e Consultor Empresarial especializado em M&A, Direito Societario e Gestao Patrimonial.
A advocacia criminal é incrível. As teorias e as teses são incrivelmente bonitas, mas a realidade dos fatos é que o cara que tem dinheiro normalmente é o picareta, o ladrão, o corrupto, o estuprador.
Então, o cara fala: “Não, eu sou criminal, mas não faço crime de sangue”. Ou seja, colarinho branco está tudo bem, mas o assassino, ah, não, esse não.
Rola uma série de frases na advocacia criminal. O cara fala que não trabalha com crime de sangue, mas o corrupto, de repente, provoca muito mais mortes; o impacto dele é muito maior do que o de um homicídio, né?
Eu, quando estagiário, participei de um programa de estágio na Secretaria de Segurança Pública. Foi legal para caramba. Parecia que eu ganhava R$ 50 mil por mês para estar ali, porque era o primeiro a chegar, o último a sair, lia processo de capa a capa, brigava, queria soltar os caras de qualquer jeito. Meu irmão, um monte de pobre, e eu vou ajudar esses caras lá.
Isso chamou a atenção no escritório de advocacia e o pessoal falou: “Porra, vem trabalhar com a gente aqui. O escritório era bem pequeno, mas você vai ter um pedaço do resultado”. Comecei a ganhar dinheiro.
Então, vocês jovens — sei lá, eu tinha 18 anos —, eu comecei a ter dinheiro para frequentar restaurante sozinho, restaurante bacana e tal.
Mas aí, um dia, eu estava dentro do presídio, em uma visita guiada pela minha faculdade, e um preso me ligou. O cara estava preso na cadeia que eu estava visitando com a faculdade.
Naquele dia eu falei: “Cara, eu não estou a fim de colocar minha inteligência a favor do crime”.
Então, super respeito teus amigos criminalistas, mas não vim ao mundo para isso. Não vim ao mundo para defender bandido — e nem todo mundo que sofre um processo criminal é bandido, tá? Muita gente foi processada de forma injusta. Essa é a verdade.
Mas eu, pela minha experiência, entendi que isso era uma grande minoria. Então, resolvi botar minha mente e meu espírito em outro lugar.
Além do quê, para quem acha que energia existe, que o corpo da gente é feito de células, átomos e elétrons, você sente o clima de uma delegacia, de um presídio. Para chegar em casa depois, haja oração, viu?
Então, enfim, muita coisa junto. Mas, para quem gosta, tem um livro muito legal chamado A Beca Surrada. Vale a pena. Eu recomendo. Um abração.